A comida mais tipica do Brasil,nao é Brasileira!

  “A feijoada foi criada pelos escravos, 
que aproveitavam os restos de carne 
que os senhores desprezavam 
e os misturavam ao feijão,
gerando a iguaria que se 
tornou tempos depois 
símbolo nacional.
Sem dúvida, uma linda história.
Pena que é MENTIRA Murilo Andrad

Convencionou-se
que a feijoada foi inventada nas senzalas.

Os escravos, nos escassos intervalos
do trabalho na lavoura, cozinhavam
o feijão, que seria um alimento destinado
unicamente a eles, e juntavam os restos de
carne da casa-grande, partes do porco que
não serviam ao paladar dos senhores.
Após o final da escravidão, o prato inventado
pelos negros teria conquistado todas as classes
sociais, para chegar às mesas de caríssimos
restaurantes no século XX.

Mas não foi bem assim..A história da feijoada
se quisermos também apreciar


seu sentido histórico
nos leva primeiro à história do feijão.
O feijão-preto, aquele da feijoada tradicional,
é de origem sul-americana.
O nome pelo qual o chamamos, porém, é português.
Na época da chegada dos europeus à América, no
início da Idade Moderna, outras variedades desse
vegetal já eram conhecidas no Velho Mundo, aparecendo
a palavra feijão escrita pela primeira vez, em 
Portugal, no século XIII
  (ou seja, cerca de trezentos anos
antes do Descobrimento do Brasil).

O que se sabe de concreto
é que as referências mais
antigas à feijoada não
têm nenhuma relação
com escravos ou sensualizas,
mas sim a restaurantes
  frequentados pela elite
escravocrata urbana.

O exemplo mais antigo está no Diário de Pernambuco
de 7 de agosto de 1833, no qual o Hotel Théâtre,
de Recife, informa que às quintas-feiras seriam
servidas “feijoada à brasileira” (referência ao
caráter adaptado do prato?). No Rio de Janeiro,
a menção à feijoada servida em restaurante –
espaço da “boa sociedade” – aparece pela  
primeira vez no Jornal do
Comercio de 5 de janeiro de 1849,
  em anúncio sob o título A bela feijoada à brasileira:
“Na casa de pasto junto ao botequim da Fama do
Café com Leite, tem-se determinado que haverá
em todas as semanas, sendo às terças e quintas-feiras,
a bela feijoada, a pedido de muitos fregueses.
Na mesma casa continua-se a dar almoços,
jantares e ceias para fora, com o maior asseio
possível, e todos os dias há variedade na comida.
À noite há bom peixe para a ceia.”Nas memórias escritas
por Isabel Burton, esposa do aventureiro, viajante,
escritor e diplomata inglês Richard Burton, em 1893,
remetendo- se ao período em que esteve no Brasil,
entre 1865 e 1869, aparece um interessante relato
sobre a iguaria. Falando sobre a vida no Brasil
(seu marido conquistou a amizade do imperador
D. Pedro II, e ela compartilhou do requintado
círculo social da marquesa de Santos, amante
notória do pai deste, D. Pedro I), Isabel Burton
diz que o alimento principal do povo do País –
segundo ela equivalente à batata para os irlandeses
– é um saboroso prato de “feijão” (a autora usa a
palavra em português) acompanhado de uma
“farinha” muito grossa (também usa o termo farinha),
normalmente polvilhada sobre o prato.
O julgamento da inglesa, após ter provado por três anos
aquilo a que já se refere como “feijoada”, e lamentando
estar há mais de duas décadas sem sentir seu aroma,
é bastante positivo: “É deliciosa, e eu me contentaria,
e quase sempre me contentei, de jantá-la.”
A Casa Imperial – e não escravos ou homens pobres –
comprou em um açougue de Petrópolis, no dia 30
de abril de 1889, carne verde (fresca), carne de porco,
lingüiça, lingüiça de sangue, rins, língua, coração, pulmões, t
ripas, entre outras carnes. D. Pedro II talvez não comesse
algumas dessas carnes – sabe-se de sua preferência por
uma boa canja de galinha –, mas é possível que outros
membros de sua família, sim. O livro O cozinheiro
imperial, de 1840, assinado por R. C. M., traz receitas
para cabeça e pé de porco, além de outras carnes –
com a indicação de que sejam servidas a “altas personalidades”.

Hoje em dia não há apenas uma
receita de feijoada.
Pelo contrário, parece ser ainda um
prato em construção,como afirmou nosso folclorista maior no final dos anos 1960.
Há variações aqui e acolá, adaptações aos climas e produções
locais. Para Câmara Cascudo, a feijoada não é um simples prato,
mas sim um cardápio inteiro. No Rio Grande do Sul, como nos
lembra o pesquisador Carlos Ditadi, ela é servida como prato
de inverno. No Rio de Janeiro, vai à mesa de verão a verão,
todas as sextas-feiras, dos botecos mais baratos aos restaurantes
mais sofisticados. O que vale mesmo é a ocasião: uma comemoração,
uma confraternização, a antecipação do fim-de-semana no centro
financeiro carioca, ou até mesmo uma simples reunião de amigos no domingo.
Um cronista brasileiro da segunda metade do século XIX, França Júnior,
chegou a dizer mesmo que a feijoada não era o prato em si, mas o festim,
a patuscada, na qual comiam todo aquele feijão. Como na Feijoada completa
de Chico Buarque: “Mulher / Você vai gostar / Tô levando uns amigos pra
conversar”. O sabor e a ocasião, portanto, é que garantem o sucesso da feijoada.
Além, é claro, de uma certa dose de predisposição histórica (ou mítica)
para entendê-la e apreciá- la, como vêm fazendo os brasileiros ao longo dos séculos.

fonte de pesquisa:Portal sao francisco,Pop Nutri,Portal da Embrapa Arroz e Feijão

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Esta entrada foi publicada em março 17, 2011 às 4:55 am e está arquivada sob arroz e feijao, cultura popular, historia do brasil. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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