O Drama do "Pixaim" na Escola!

YX4Y4205-criança uniformizada

Se antes a aparência da criança negra com sua cabeleira crespa, solta e despenteada era algo comum entre a vizinhança e coleguinhas negros, com a entrada para a escola essa situação muda. 
A escola impõe padrões de currículo, de conhecimento, de comportamentos e, também, de estética. Para estar dentro da escola é preciso se apresentar fisicamente dentro de um padrão, uniformizar-se. A exigência de cuidar da aparência é reiterada e os argumentos para tal nem sempre apresentam um conteúdo racial explícito. Muitas vezes esse conteúdo é mascarado pelo apelo às normas e preceitos higienistas. Existe, no interior do espaço escolar, uma determinada representação do que é ser negro, presente nos livros didáticos, nos discursos, nas relações pedagógicas, nos cartazes afixados nos murais da escola, nas relações professor/a e aluno/a e dos alunos/as entre si. 
  Na escola também se encontra a exigência de “arrumar o cabelo”, o que não é novidade para a família negra. Mas essa exigência muitas vezes chega até essa família com um sentido muito diferente daquele atribuído pelas mães ao cuidarem dos seus filhos e filhas.
Em alguns momentos, o cuidado dessas mães não consegue evitar que, mesmo se apresentando bem penteada e arrumada, a criança negra deixe de ser alvo das piadas e apelidos pejorativos no ambiente escolar. 
Alguns se referem ao cabelo: ninho de guacho”, cabelo de bombril”, “nega do cabelo duro”, “cabelo de picumã”!
 Apelidos que expressam que o tipo de cabelo do negro é visto como símbolo de inferioridade, sempre associado à artificialidade (esponja de bombril) ou com elementos da natureza (ninho de passarinhos, teia de aranha enegrecida pela fuligem).

     Esses apelidos recebidos na escola marcam a história de vida dos negros. São, talvez, as primeiras experiências públicas de rejeição do corpo vividas na infância e adolescência. A escola representa uma abertura para a vida social mais ampla, onde o contato é muito diferente daquele estabelecido na família, na vizinhança e no círculo de amigos mais íntimos.

“Uma coisa é nascer criança negra, ter cabelo crespo e viver dentro da comunidade negra e outra coisa é ser criança negra, ter cabelo crespo e estar entre brancos”

A experiência da relação identidade/alteridade se coloca com maior intensidade nesse contato família/escola. Para muitos negros essa é uma das primeiras situações de contato inter-étnico.

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Nilma Lino Gomes – FAE/UFMG

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Esta entrada foi publicada em abril 12, 2011 às 5:54 pm e está arquivada sob a origem africana nos brancos, cabelo crespo, cabelo liso, criança negra escola, drama, normas escolares, preconceito, uniforme escolar, vizinhança. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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