Etnia Brasileira na Revista Raça Brasil

Lívia cresceu na comunidade de Vigário Geral, no Rio de Janeiro. Filha de uma modelista da Duloren, através da marca de peças íntimas que ela iniciou sua vida de passarela até chegar à agência Mega. Com algumas campanhas publicitárias no caminho, venceu diversos concursos de beleza, fez alguns comerciais e pontas em novelas. A carioca venceu as referências da moda e chegou a Milão, na Itália. E, segundo ela, para quem nasce em uma comunidade carente, ser bonita pode valer ouro.
Os jornais começaram a escrever sobre o fenômeno da menina que vem da favela e consegue, com trabalho e dedicação, se tornar modelo internacional.
Ganhou o apelido de “Cinderela de Vigário Geral”, dado pela mídia carioca nos anos 90. Além de modelo, Lívia é cantora, fotógrafa e estudou web design em Milão. Sua experiência de vida a levou a bancar sozinha um documentário – em fase de finalização – que pode ser a resposta não apenas às suas dúvidas pessoais de identidade, mas as de muitos outros negros. “Quando procurava saber mais informações sobre o tema, sempre me via em uma realidade que não era minha, isso me fez tomar a atitude de querer mostrar ao mundo e ao Brasil qual é o real perfil do negro brasileiro que, na prática, não é uma cópia estereotipada dos negros americanos ou africanos”, explica, justificando o seu trabalho.
Por que essa ideia tão pejorativa e errada sobre como somos realmente?
Por que ninguém sabe como é o negro brasileiro em sua essência?
“O negro brasileiro é único”

Durante muitos anos, Livia Zanuty, de 29 anos, se revoltou. Pensava que sua origem era apenas uma e a sua realidade em Vigário Geral era algo digno de reparação e pena. “Não assumia o meu cabelo, nutria decepções de não aceitação do meu meio, sobre a minha figura, era um boneco montado, com saias longas, baixa autoestima e cabelo esticado no henê.” Há 3 anos, Livia fez tranças africanas e ficou em choque. “Não era aquilo que eu esperava. Não era a identidade visual, era mais do que isso. Mas, o que eu sou? Fiquei perdida e fui atrás de saber o que é a verdadeira negritude brasileira”, conta.
Na defensiva, a modelo levava qualquer comentário para o lado pessoal e, com base em sua história de vida, começou a questionar sobre o real perfil do negro brasileiro, quando percebeu que nunca encontrava interesse e nem exigência do consumidor mundial sobre o nosso tipo de cabelo, moda e estilo. “Na Europa, então, pouco se sabe sobre o real perfil do negro brasileiro.” Com essas percepções, ela prepara agora um documentário cujo tema central é a etnia brasileira, a diversidade e a miscigenação. “Eu banco o projeto todo, e um dos pontos centrais é mostrar essa faceta do negro brasileiro que ninguém conhece. Vou registrar depoimentos atuais das principais figuras nacionais na questão da autoestima e do padrão estético da sociedade brasileira, através de uma nova abordagem de temas, até então vendida de forma pejorativa e marginalizada”, explica. O Projeto Etnia Brasileira, que hoje tem o formato de blog, será divulgado em portais e canais internacionais relacionados à cultura popular brasileira.
Em busca dessa identidade negra brasileira, Livia vai se descobrindo e, a cada dia, com mais autoestima e orgulho.

http://racabrasil.uol.com.br/cultura-gente/158/artigo228107-1.asp

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Esta entrada foi publicada em setembro 5, 2011 às 6:43 pm e está arquivada sob acontecendo, etnia brasileira, geledes.org, livia zaruty, moda e modelos, noticias brasil, portal geledes, raça brasil, racismo negro. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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