A questão dos nordestinos nos grandes centros urbanos.

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Sou filha de uma paraibana, e o pai do meu filho é baiano. E percebo que os nordestinos vem para as grandes capitais com o objetivo de ganhar dinheiro para sobrevivência, e para o consumo de bens e serviços principalmente, pois, a realidade social no nordeste é muito sofrida.
Estive há seis anos no interior da Bahia, no povoado de Ubiraitá, e lá só tem 2 ruas, 1 escola, 1 posto médico, o comércio local (padaria e farmácia), e um caminhão (estilo pau de arara) que leva as pessoas para a cidade de Andaraí para que possam ir ao banco, ou utilizar os serviços públicos e privados. Lá tem uma vila dos sem terra, e um matadouro, onde matam um boi por semana, que serve de sustento para o consumo de carne semanal do vilarejo. Mais adiante deste povoado de Ubiraitá, nas pequenas propriedades rurais, as pessoas, plantam, cozinham em fogões de barro e fornos de barro, e esperam o caminhão pipa chegar, por volta de uma vez a cada 15 dias. Vivem sem luz, sem água encanada, sem rede de esgoto (usam fossas), sem gás, sem ônibus. Uma das mulheres que mora lá disse que uma das coisas que mais sente falta de São Paulo é um liquidificador. Além da questão climática da seca, que agrava a sobrevivência nessas regiões pois a escassez de água é muito grande, e muitas vezes os produtos cultivados são perdidos por falta de chuva.
Diante de realidades como essas, a população nordestina vai em busca de melhores condições de vida nos grandes centros urbanos. Em busca de condições mínimas, de saneamento, transporte, sistema de saúde pública, emprego e moradia.
Nas décadas de 70 e 80 quando houveram grandes imigrações do nordeste para o sudeste, o que ocorreu foi o inchaço das cidades ditas grandes, principalmente nas regiões periféricas, pois lá a população com poucos recursos financeiros conseguia se firmar, construindo um barraco de madeira, trabalhando em casa de família ou em construção, juntando dinheiro, fazendo na maioria das vezes “gato” de água e de luz ,e morando em cima de córregos para dar vazão a sua rede de esgoto.
Dessa forma por mais precária que fosse, as condições eram melhores do que as encontradas nas regiões interioranas do nordeste.
Alguns conseguiram estudar, trabalhar, abrir comércios, criar seus filhos, enfim conseguiram viver com mais dignidade.
Outros porém não conseguiram muitas oportunidades e principalmente os jovens, caíram na criminalidade, em busca de dinheiro fácil e de status o que gerou as altas taxas de criminalidade sempre crescentes nos grandes centros urbanos.
Porém, mesmo os que aqui permaneceram sofrem com a discriminação por falarem de um jeito diferente, por gostarem de músicas diferentes, enfim por sua cultura e seu jeito de ser. O que gera agressões verbais do tipo “esse Paraíba”, “é tudo baianinho”, como se fossem pessoas inferiores, acéfalas, e agressões físicas também, principalmente por parte de grupos extremistas como os skinheads.

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A maioria dos nordestinos nos grandes centros urbanos, trabalham com prestação de serviços, ou no comércio e na indústria. Poucos se destacam no âmbito financeiro, executivo, acadêmico e nos altos cargos de poder.
E essa situação se tornou “normal” para essas pessoas que buscam apenas sobreviver e consumir. Uma das formas que a classe alta encontrou, para que os “inferiores” aceitassem ficar nessa posição, é o fato de que hoje o crédito está disponível para todos. Então as pessoas chamadas de “mais carentes” se conformam em estar no nível mais baixo das esferas sociais contanto que possam consumir e com isso adquirir um status diante dos demais que fazem parte do seu círculo de convívio social.
Embora o Brasil seja “um país de todos”, nem todos se sentem parte deste país.

Juliana Benda

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Esta entrada foi publicada em setembro 27, 2011 às 6:07 pm e está arquivada sob bahia, etnia brasileira, juliana benda, livia zaruty, pai baiano, paraibano, ser nordestino no colegio, ubirata. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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